Palestras para os Pais I - A difícil tarefa de dizer não!

Queridos e queridas do Colcha de Saberes,

Entendendo que, a cada novo ano temos assuntos que persistem em nosso universo escolar e familiar, faremos uma série de postagens - e esta é a primeira delas - sobre as Palestras para os Pais. Trarei a fala de alguns profissionais que tratam de assuntos angustiantes para os pais e para o universo escolar, como consequência. 

Lêda Zoéga Parolo, Psicóloga Clínica da Villa Vita, traz um texto que nos inspirará na montagem de uma dinâmica com os pais. O texto é a inspiração, a dinâmica para a vivência deste momento com os pais, eu deixo por conta da criatividade das Professoras, Coordenadoras Pedagógica, Orientadoras Educacionais e Gestores de Educação que aqui se inspirarem!!!


Boa reflexão!             

Abraços e bênçãos,

Ana Larrubia Andrade



Por Lêda Zoéga Parolo - Psicóloga Clínica da Villa Vita

É preciso dizer “NÃO” para podermos ter pessoas capazes de conhecerem seus limites e respeitarem os dos outros, de se protegerem contra perigos, de saberem lidar com frustrações, de saberem esperar, porque as coisas não podem ser feitas sempre na hora em que querem, de saberem que não são as únicas pessoas no mundo.
            Muitos pais se sentem confusos nessa função de educar colocando limites. Muitos têm medo de traumatizar os filhos, de bloqueá-los em seu desenvolvimento. Na verdade, a criança ainda não sabe o que é certo ou errado, o que pode ou não fazer, e a proteção deve vir dos pais.

            Todos já vimos cenas de birra nas lojas e ruas. São crianças testando seus limites e os limites dos pais. Muitos destes se sentem envergonhados diante de tamanho escândalo e acabam cedendo aos desejos da criança. Você faria o que? A criança precisa aprender, para seu próprio bem, que sim é sim, e que não é não. Colocar limites não é fácil, é um desafio. É ensinar a ter responsabilidade e respeito. É “delimitar o terreno”, fazendo com que a criança ou adolescente saiba até onde pode ir.
            Quando a criança tem muita liberdade, fica perdida, sem parâmetros. Desde bebê é preciso colocar a criança no colo, dar-lhe carinho, para que ela aprenda os limites de seu próprio corpo e, mais tarde, os dos outros.
            Para muitos pais, a criança tudo pode. Muitos casais tentam compensar uma separação e nos poucos momentos do fim de semana que passam com os filhos, tornam-se permissivos para diminuir a culpa.
Educar é também colocar limites. Aprenda a dizer "Não" para seus filhos, sem medo, sem ceder às pressões. Não se deve ter medo da cara feia do filho quando contrariado - isso passa e faz parte do crescimento, já que nem sempre na sua vida adulta as coisas sairão como deseja.
            Os valores são colocados em questão. “Se o meu amigo pode guiar o carro do pai com 16 anos, por que eu não posso?”; “Minha amiga dorme na casa do namorado, o que é que tem?”. Os pais devem se sentir seguros e manterem-se firmes nos seus valores e princípios.  Assim sendo, não adianta colocar limites de forma insegura. Reveja seus valores fundamentando-os bem para poder ser firme na sua tomada de decisões quanto ao “Sim” e ao “Não” na educação de seus filhos.
            Colocar limites é diferente de punir. Não é proibir de ver TV por algum motivo, mas sim determinar regras para o comportamento. Algumas dessas regras são discutíveis, outras não. É necessário o diálogo, tão difícil em muitas famílias. Autoridade é diferente de educação - o uso de poder não deve ser usado para educar. E punir em público pode ser humilhante – dialogue com a criança ou adolescente em particular.
É importante que se saiba que a resposta “Não” não admite negociação. Deve-se pensar antes de dizer "Não" para que essa palavra não fique banalizada quando, com a insistência do filho ou filha, ela se transforme em "Sim".
O adolescente adora testar seu próprio limite e poder. Ao mesmo tempo que quer liberdade, ele quer limites pois, lhe dá segurança saber que há uma retaguarda com que ele pode contar nos seus momentos de dúvidas. Há algum tempo li uma entrevista, perto do dia dos pais, onde entrevistavam algumas pessoas para falarem algo dos pais. Lembro-me de uma mulher, nos seus 30 anos, que disse que gostaria que seu pai lhe tivesse dito mais “nãos”. Seu pai sempre lhe disse sim, e muitas vezes queria ouvir um “não” como sinal de atenção e preocupação com ela que poderia, assim, ter cometido menor número de erros dos quais se arrepende hoje.
Lembre-se que AMAR também exige que se saiba dizer “não”  no momento exato.


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